“9 Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: 10 Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. 11 O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; 12 jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. 13 O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! 14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.” (Lucas 18.9-14)
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A base da justificação: Jesus Cristo
No post anterior, vimos que Deus não nos declara justos com base nas nossas obras ou porque obedecemos à Lei.
Mas se é assim, como podemos ser salvos? Sobre que base Deus nos declara justos? A base da nossa justificação é Jesus Cristo.
No texto, vemos que os dois estão fazendo suas orações. As orações particulares no Templo eram feitas durante o sacrifício expiatório, ou seja, quando o cordeiro era morto pelos pecados do povo.
Durante esse momento, o fariseu não pede perdão pelos pecados, ao contrário, ele exalta sua justiça própria: ele não jejua uma vez no ano, conforme a Lei, mas duas vezes na semana; não dá o dízimo de certas colheitas, mas de tudo quanto ganha. Ele pensa que Deus vai justificá-lo com base na obediência à Lei. Ele não se lembra do texto de Is 64.6: “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia”.
O publicano, ao contrário, não tem méritos. Ele bate no peito demonstrando convicção, dor, angústia extrema pelo pecado. Ele fica de longe, não se aproxima do altar onde era oferecido o cordeiro. Ele ora para que Deus perdoe seus pecados, porque o cordeiro foi morto no seu lugar.
Nós conhecemos quem é o Cordeiro de Deus: Jesus Cristo. Deus nos declara justos com base na vida e obra de Jesus Cristo.
O que significa dizer que Cristo é a “base” da justificação? Todo juiz[1] precisa de uma fundamentação legal pra proferir sua decisão. O juiz olha pra lei e se o réu está dentro dela, ele é inocentado. Se ele quebrou algum ponto; é condenado.
Deus faz assim. Ele olha para a Sua santa, perfeita, pura Lei. Então olha pra nós. O que ele vê? Culpados de termos desobedecido toda a Lei (Tg 2.10). Por isso, por nós mesmos, merecemos a condenação.
Se estamos condenados e não conseguimos nos salvar, precisamos que alguém nos liberte. Precisamos que alguém cumpra a Lei perfeitamente no nosso lugar. E também precisamos que alguém sofra a condenação que cabe a nós. É isso que Jesus Cristo fez. Ele cumpriu toda a Lei e sofreu a punição da quebra da lei por causa dos nossos pecados[2].
O que Deus faz na justificação? Ele olha para o pecador e vê total desobediência a sua Lei. Mas Ele olha pra Cristo e vê no Filho o cumprimento perfeito da sua Lei. O que Deus faz? Há uma troca: Deus atribui a justiça perfeita de Cristo a nós. E atribui nossos pecados a Cristo[3].
Em sua vida, Jesus Cristo encarnou a Lei de Deus obedecendo-a perfeitamente em nosso lugar, algo que não conseguimos. Em sua morte, Jesus Cristo sofreu a punição pelos nossos pecados, algo que não suportaríamos. O maior sofrimento de Jesus Cristo na cruz não foi a dor física causada pela tortura, mas foi beber o cálice da ira de seu Pai Celestial por causa dos pecados de seu povo.
Em seu tribunal, Deus olha para o pecador e vê total desobediência a Lei e merecedor da condenação. No entanto, Jesus Cristo coloca-se diante de Deus e diz: “Eu cumpri a lei no lugar dele. Eu sofri a condenação que ele merecia.” Então Deus diz ao pecador: “Se o meu Filho cumpriu minha Lei no seu lugar e sofreu a condenação que você merecia, então eu te considero justo por causa do meu Filho.”
Por isso Deus fundamenta a sua decisão de nos justificar com base em Jesus Cristo. Nós somos considerados justos não por causa da nossa obediência, ou do nosso procedimento, ou porque somos “bonzinhos”, mas por causa da obediência de Jesus no nosso lugar e porque ele sofreu a penalidade pela quebra da Lei que caberia a nós!
O Evangelho é Jesus Cristo: a boa nova de que Deus enviou seu Único Filho para salvar seu povo!
No entanto, alguns dizem que Jesus veio somente para nos ensinar uma boa moral, ou para ser um exemplo a ser seguido, porque desse jeito nós podemos nos salvar. Não existe visão mais errônea, anticristã e antibíblica do que esta.
Quem já leu qualquer porção dos evangelhos deve ter notado que Jesus Cristo é chamado de Salvador. E isso tem uma razão: ele, de fato, salva!
Imagine um salva-vidas, numa praia, com sua sunga vermelha e óculos escuros, sentado naquela cadeira lá no alto. De repente ele vê uma pessoa se afogando no mar. Então, sem mexer um músculo sequer, ele começa a gritar: “Calma!! Respira fundo!! Você está morrendo, mas eu vou te ensinar a se salvar! Olha só, você tem que bater os braços! Bata as pernas! Você consegue, vai lá!! É só prestar atenção no que eu estou ensinando!”
Que belo salva-vidas, não? Ora, o salva-vidas carrega esse nome porque ele mergulha no mar, segura a pessoa, nada pela pessoa e a salva!!
Jesus Cristo é chamado de Salvador porque ele salva[4]! Ele mergulha em nossa existência, retira-nos do mar do pecado e da morte, faz o que não conseguimos e nos salva!!
Portanto, arrependa-se do seu orgulho de achar que você merece a salvação por causa de suas atitudes, comportamentos, boas obras. Pare de exaltar sua justiça própria, porque você não tem. Agarre-se na justiça gratuita oferecida em Cristo Jesus!
A base da justificação é Jesus Cristo. Mas de que maneira recebemos a justiça de Cristo? Próximo post.
[1] Lembre-se que “justificação” é um termo forense.
[2] “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei.” (1 João 3.4)
[3] “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.” Isaías 53.5
[4] Mateus 1.21; Lucas 2.11; João 4.42
Gostei muito do exemplo do Salva-vidas!!
Indico!!!