“9 Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: 10 Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. 11 O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; 12 jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. 13 O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! 14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.” (Lc 18.9-14)

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A doutrina ensinada por Jesus nesta parábola é importantíssima. É simplesmente o coração do Evangelho. É exatamente o conteúdo das Boas Novas (no grego: euangellion).
Ela é tão essencial que João Calvino disse que esta doutrina “é o ponto sobre o qual a religião cristã se sustenta”. Martinho Lutero disse que esta doutrina é “o artigo pelo qual ou a igreja se firma ou cai”.
Essa doutrina é a justificação pela fé somente.
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Lutero e Calvino não exageraram. Sem a justificação pela fé não há Cristianismo. Não há perdão dos pecados. Não há relacionamento com Deus. Não há salvação. E creio que o evangelicalismo está se afastando desse fundamento.
Nesta série de posts, pretendo abordar cinco tópicos da doutrina da justificação pela fé a partir da parábola acima:
1º) O problema do ser humano: Justiça Própria
2º) A fonte da justificação: A Graça
3º) A base da justificação: Jesus Cristo
4º) O meio da justificação: A fé
5º) O resultado da justificação: Adoção e Paz com Deus
Obviamente não será uma exposição completa da doutrina. Quem quiser saber mais, sugiro que leia a carta de Paulo aos Romanos[1]. Tente lê-la de uma só vez, numa só sentada (é assim que se lê uma carta!) para ter um panorama geral desta epístola[2].
Não fique empacado nas partes difíceis, tentando desvendar o que o apóstolo quis dizer com tal frase ou palavra! Lembre-se do que o apóstolo Pedro escreveu: “… o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.” (2Pe 3.15-16) Portanto, cuidado para não deturpar as Escrituras!
Depois que ler a carta toda, concentre-se nas seguintes passagens, que é a maneira pela qual o apóstolo Paulo desenvolve sua argumentação: 1.16–3.20 (necessidade da justificação pela fé), 3.21–5.21 (o que é a justificação pela fé) e 6.1–8.39 (consequência da justificação pela fé, ou santificação).
Quem quiser se aprofundar mais, sugiro dois livros:
- CALVINO, João. As Institutas: edição clássica. 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. v. 3. (a partir do capítulo XI)
- MACARTHUR Jr. , John. Justificação pela fé somente. São Paulo: Cultura Cristã, 1995
Fiquem na Paz do Redentor!
[1] Creio profundamente que Deus fala por meio do texto bíblico. “A justiça de Deus se revela no evangelho” (Rm 1.17) e Deus deixou seu evangelho registrado nas Escrituras Sagradas do Antigo e Novo Testamentos. Por isso a necessidade principal é irmos até a Bíblia!
[2] Claro que estou pressupondo que você ore pedindo a orientação do Espírito Santo. A tarefa de interpretar a Bíblia é dupla: oração e estudo (orare et labutare)!
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